Declarações do Papa
França condena posição de Bento XVI sobre camisinha
"Consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e à obrigação de proteger a vida humana", disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier
Da Redação, com agência
Paris - A França condena as declarações do papa Bento XVI, rejeitando o uso de preservativos na luta contra a Aids, qualificando-as como "uma ameaça"."Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e à obrigação de proteger a vida humana", disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.
O papa Bento XVI disse na terça-feira, em visita a Camarões, que o uso de preservativos pode agravar o problema da Aids. Ele chamou a doença de "uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema."
Dogmas
A solução, segundo Bento XVI, se encontra "em um despertar espiritual e humano" e "amizade com os que sofrem". O pontífice defende a fidelidade e a abstinência como formas de combater a doença.
No entanto, as declarações causaram espanto em alguns ativistas que dizem que o uso de preservativos é um dos únicos métodos comprovadamente eficazes de combate à doença.
"A oposição dele aos preservativos indica que dogmas religiosos são mais importantes para ele do que as vidas dos africanos", afirma Rebecca Hodes, da ONG sul-africana de combate à Aids Treatment Action Campaign, divulga a BBC Brasil.
Calcula-se que cerca de 22 milhões de pessoas são infectadas com o vírus do HIV na África ao sul do Deserto do Saara, segundo dados da ONU de 2007. O total representa dois terços de todos os infectados do mundo.
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